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O Camarada Francisco

por Jorge Ribeiro Mendonça, em 02.12.13

Nos últimos dias tenho visto - com gosto - toda a gente a falar do Papa Francisco, entre os quais se incluem Mário Soares, Daniel Oliveira ou Francisco Louçã. Conversão espontânea ao Camarada Francisco?


Devemos ficar atentos às entrelinhas quando insuspeitos como os acima referidos vêm falar da hierarquia da Igreja. Acho sempre que há algo mais, como uma crítica ao sistema capitalista e consequente defesa de outros sistemas, ou eventualmente algo menos e circunstancial, como reduzir as declarações a uma tentativa de justificar o injustificável dito pelo agora ativista de extrema-esquerda Mário Soares. Mas gosto de ver e vou aceitar como adesão às palavras de Francisco.


O Fenómeno Francisco tem qualquer coisa extraordinária que nos deixa a todos cheios de espanto. Parece que pela primeira vez estamos a ouvir aquilo que Cristo disse há 2000 anos. Francisco traz uma brisa de novidade que brota de uma fé inabalável e de fundamentos teológicos profundíssimos.


O Camarada Francisco bate no sistema capitalista. Certo. Mas, não defende o caminho para o Socialismo. Bem lida a exortação apostólica, o que o Papa Francisco nos traz neste tempo de preparação para o Natal é um recentrar no essencial. Entre muito que fica dito afirma perentoriamente “o dinheiro deve servir, e não governar!” (sic) concluindo “exorto-vos a uma solidariedade desinteressada e a um regresso da economia  e das finanças a uma ética propícia ao ser humano.” 


Aponta ainda que “enquanto não se eliminar a exclusão e a desigualdade dentro da sociedade e entre os vários povos será impossível desarreigar a violência” é que sem igualdade de oportunidades, as várias formas de agressão e de guerra encontrarão um terreno fértil”.


A novidade de Francisco tem 2000 anos e tem vindo a ser densificada pelo menos desde a Encíclica Rerum Novarum, publicada em 1891 pelo Papa Leão XIII. A forma tão simples, direta e atual com que diz as coisas choca e impele à ação.


Bom podia estar aqui a fazer 79 páginas (o número de páginas da Exortação Evangelium Gaudium) de citações e outras tantas de comentários mas nada como ir à fonte, o que recomento vivamente. 

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publicado às 23:11


1 comentário

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De Jorge Ribeiro Mendonça a 04.12.2013 às 11:43

Com mais brilhantismo do que eu, publicou João Miguel Tavares um artigo em sentido convergente, o qual pode ser lido em http://www.publico.pt/sociedade/noticia/o-papa-na-aula-magna-1614724 (http://www.publico.pt/sociedade/noticia/o-papa-na-aula-magna-1614724)

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