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Diz como taxas e dir-te-ei quem és

por Jorge Ribeiro Mendonça, em 11.11.14

Pires de Lima protagonizou na semana passada um episódio incomum que inflamou as redes sociais. Sem qualquer contenção foram feitos os mais diversos comentários disparatados por vezes insinuando estar em condições impróprias para se apresentar no Parlamento.

Mas a arte da política passa também por aqui.

Pires de Lima sabia bem do que estava a falar. Sabia que vinha aí um orçamento que iria aumentar a carga fiscal e parafiscal sobre todos aqueles que utilizam Lisboa, para viver, para trabalhar, para viajar ou … para dormir.

Pires de Lima arriscou. A arte da política está nisto correr os riscos de credibilidade e de ser linchado na praça pública como foi durante quatro dias, antecipando os próximos passos do adversário. O risco valeu a pena, porque pôs no topo da atualidade uma questão delicada para António Costa, o candidato a primeiro-ministro como Pires de Lima arrastadamente fez questão de clarificar. Diga-se aliás, nunca antes o orçamento para Lisboa foi tão falado.

Na segunda-feira quando António Costa deu a conhecer o orçamento de Lisboa para 2015, tudo se tornou claro. Uma taxa sobre dormidas e uma taxa de desembarque impostas a não lisboetas. Aos lisboetas ficam reservadas outras novidades como a taxa de proteção civil e a taxa de saneamento.

Com tudo isto, António Costa deixa clara a forma como governa. É que apesar de algumas decisões nacionais serem geradoras de receita avultada e extraordinária para a autarquia, como sejam os Vistos Gold, o fim da cláusula de salvaguarda do IMI e integração do Parque das Nações em Lisboa, a Câmara de Lisboa teve necessidade de aumentar a receita por via das taxas (a forma de criação de impostos pela Autarquia).

A mensagem é clara. A estrutura da Câmara de Lisboa não foi capaz de se adaptar, de reduzir o seu peso e de cortar na despesa. Em suma, Lisboa não foi capaz de se reestruturar, não tendo levado a cabo as reformas necessárias e isto diz muito sobre o que nos espera com António Costa. Muito mais, aliás, do que um programa para a década dirá.

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publicado às 15:06